Música en tiempos de Murillo. Soledad Cardoso & Orphénica Lyra (2017)

Palácio Nacional da Ajuda, Festival de Estoril Lisboa, Portugal

"Em Lisboa, estas pequenas jóias musicais foram revisitadas com uma formação instrumental reduzida (com Moreno e o gambista Ventura Rico) e pela soprano Soledad Cardoso, detentora de uma voz de grande frescura e beleza tímbrica, bem adequada a este universo estético. Com uma dicção clara, uma voz bem equilibrada ao longo de toda a tessitura e uma expressividade atenta ao carácter e significado do texto, a cantora transmitiu-nos com eloquência, mas sem exageros, a teatralidade assertiva de trechos como Ay que si, ay que no, de Juan Hidalgo; a dimensão poética de obras como Sosieguen, descansen, de Sebastián Durón, com a suas passagens em recitativo e sugestivos diálogos com a viola da gamba; ou a energia rítmica de peças baseadas em padrões da dança como as famosas jácaras No hay que decirle el primor e a chacona de Juan Arañés A la vida buona. Música extraída de obras cénicas e peças de câmara como os "tonos humanos” Aquella sierra nevada, Ojos pues me desdeñais e No piense Menguilla, de José Marin, imortalizados pela saudosa Montserrat Figueras, tiveram em Soledad Cardoso uma refinadíssima intérprete, que brilhou também num encore dedicado a Monteverdi: Si dolce è il tormento." Cristina Fernandes

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